Aivil levantou de sua cama. No mesmo momento já sabia que estava sonhando, pois estava em sua casa, em seu quarto para ser mais exato. Olhou a sua volta. Parecia que nunca havia saído dali. Seu quarto estava na mesma posição de sempre, com sua cama debaixo da janela, um criado-mudo do lado esquerdo e um armario do lado direito. Mas ela sabia que, do mesmo modo que o outro sonho, estaria tudo trancado. Foi fazer o teste.
Todas as portas e gavetas do armário abriram, assim como as gavetas do criado-mudo. Esperançosa, foi à porta de seu quarto, mas esta estava trancada. Sentou-se no chão e começou a chorar. Foi durante esse choro que algo lhe veio a cabeça. E se seu pai tivesse trancado a porta de seu quarto. Seria um dos motivos para nada ter mudado ali dentro. Aivil levantou e andou até a janela. “Talvez eu consiga levantar o trinco.”. A menina se imbuiu de esperança e tentou. Desta vez deu certo. A janela se abriu, mostrando uma Lavenice completamente diferente. Diferente e estranhamente deserta.
A cidade tinha mudado muito nas ultimas semanas, mas não queria limitar a observação da cidade ao que existia em frente a sua janela, então pulou da janela para a rua. A primeira diferença que notou foi no calçamento da rua. A rua já não era de terra batida. Estava coberta de pedras cortadas do mesmo tamanho e forma, colocadas lado a lado, formando um caminho de pedras
Aivil começou a andar pela cidade. Não via nenhuma barraca de venda, mas a quantidade de construções feitas de pedras tinha aumentado muito. Provavelmente os vendedores começaram a ganhar dinheiro e fizeram as casas. Mas a extração dessas pedras era difícil e demorada. “Como tantas construções foram feitas?” se perguntava Aivil. Resolveu ver se seu pai estava em casa, fazendo parte deste sonho, para responder algumas perguntas.
Voltou até sua casa que continuava sendo a mesma construção humilde, feita em madeira por seu avô. Bateu na porta e depois de um tempo ele atendeu. Os dois se olharam por um tempo e, se rendendo a saudade proporcionada pelas longas semanas de viagem, deram um forte abraço, molhado por muitas lagrimas dos dois. Aivil entrou, sentou-se na mesa com seu pai e eles conversaram muito tempo sobre o que tinha acontecido com eles nas ultimas semanas. Aivil contou sobre sua viagem, sobre a morte de Kraus e a viagem pela floresta. Seu pai narrou uma história de como a cidade havia se desenvolvido.
No dia seguinte a saída de Aivil, um grupo de pessoas chegou à cidade. Traziam nas mãos aqueles estranhos artefatos. Eram ao todo quatro pessoas, cada um representando um tipo daqueles estranhos combatentes. Mas seus artefatos eram diferentes de todos os que já haviam visto. Eram artefatos azuis, mas de um brilho intenso. Eles trajavam roupas brancas com detalhes em um azul claro, que inspirava paz e serenidade. Ficaram um tempo na cidade ensinando técnicas novas para os aventureiros. O mago, que carregava um belo cetro azul fez água aparecer no fosso. Fez a montanha explodir, liberando muitas pedras. O homem de escudo ensinou aos outros a atacar usando seu escudo e espada em conjunto. O arqueiro mostrou como alterar a gravidade em um certo lugar e também como tirar estrelas de seu firmamento para um ataque muito poderoso, mas que só podia ser usado algumas poucas vezes, tudo isso através da energia arcana. O único que não portava uma arma astral, como eram chamadas as armas dos outros, ensinou que o artefato poderia ser usado do mesmo modo, ajudando em muitos ataques. E no dia anterior da “volta” de Aivil, todos tinham ido embora, só restando os aventureiros que não tiraram proveito dos artefatos.
Terminaram a conversa já era tarde da noite. Aivil dormiu em seu quarto. Já era madrugada quando foi acordada por seu pai.
Pai: Filha. Já é hora de você acordar.
Aivil: Já estou acordada pai.
Pai: Não minha filha… do seu sono de verdade.
Aivil: Como você sabia? Eu não te contei!
Pai: Não precisava filha. Eu também não estou em casa, logo percebi que isso era um sonho. Mas antes de você acordar, tenho que te contar uma coisa.
Aivil: Por que você não está em casa? E o que você quer me contar?
Pai: Isso não vem ao caso. O que eu tenho que te dizer é que você deve visitar uma mulher nas Montanhas Púrpuras, ao norte da floresta onde estão. Agora, desperte.
O pai de Aivil deu um beijo em sua testa, e ela despertou.