Aivil abriu os olhos em seu quarto. Linus estava deitado na cama ao seu lado. Não sabia até agora como tinha conseguido dormir depois do que havia acontecido com Kraus. Ainda estava arrasada pela morte deste que havia conhecido há algum tempo. Mas estranhamente se sentia em paz agora.
Ela se levantou e foi andar um pouco. Estava tudo exatamente do modo como estava antes dela ter ido dormir. Foi andando até o quarto do falecido amigo. Chegando lá percebeu que algo estava diferente. Não havia cama alguma no recinto. Tudo que via era um quarto vazio, sem nenhum móvel se quer. O chão, sem nenhuma mancha se quer do sangue que havia pingado durante a grande hemorragia que Kraus teve. Parecia que nada disso tinha acontecido. Aivil voltou correndo até o seu quarto. Quando entrou não viu nenhum sinal de Linus e suas coisas, e nem sinal dos seus próprios pertences. Era como se a presença deles tive sido apagada daquela cidade.
Aivil saiu do seu quarto com uma cara perplexa. Foi andando até o saguão principal, mas como por todos os corredores que ela havia passado, não havia uma alma se quer lá. Ela andou até a porta e tentou abrir, mas estava trancada. Estava presa e não sabia aonde ir. Sentou numa das poltronas do saguão, colocando os calcanhares no assento, abraçando seus joelhos, e desabou em lagrimas. Primeiro Kraus morto, agora Linus desaparecido no meio da noite, e trancada em um lugar desconhecido. Foi no meio desse choro que ela sentiu uma mão gelada tocando sua pele. Seu susto foi tamanho, que ela deu um grito, pulando e rolando para o chão. Quando olhou para o sofá viu um homem sentado, com uma cara assustada, como se a vitima de um susto tremendo tivesse sido ele, não a menina.
Homem: Por que gritou assim, tão alto. Eu só vim lhe confortar menina.
Aivil: Não preciso de seu conforto. Não te conheço, como se atreve a chegar assim, sem fazer um barulho se quer e tentar me abraçar.
Homem: Desculpe-me se tentei ser gentil.
O homem parecia estar um tanto quanto desconcertado com a reação de Aivil. Ele agia como se fosse a primeira vez. Ele olhou no fundo dos olhos de Aivil e tornou a falar:
Homem: Venha, conte-me o que lhe aflige. Quem sabe eu posso lhe ajudar.
Aivil: Já disse que não preciso de você. Por que você não volta para o lugar de onde veio?
O homem, visivelmente indignado, olhou furiosamente para Aivil. Ela teve a ligeira impressão de ver os olhos do homem mudando de cor.
Homem: Você estava se sentindo abandonada e quando alguém aparece você pede para ele ir embora. Menina ingrata.
O homem se levantou e caminhou até Aivil, pegando ela pelos braços, quando arregalou os olhos e disse: Veremos-nos novamente.
Nisso ele largou Aivil e sumiu. Foi quando Aivil sentiu que alguém sacudia seu corpo…